Deficiência e Inclusão

Marcos Mendes Pinheiro


Falar sobre deficiência, de certa forma, é fácil, afinal, ela faz parte de mim. Apontar as dificuldades, os receios, os medos e os momentos de pânico que às vezes me invadem também é fácil. Este último talvez seja o mais complexo, pois exige uma elaboração maior para compreender o que me leva ao pânico.


Eu sempre tento internalizar, introjetar, para entender o que acontece dentro de mim, o que aciona a chave e desencadeia o que me faz travar diante das pessoas. Esse travar se manifesta no meu caminhar: meu pé esquerdo torce de tal forma que me paralisa, impedindo-me de sair do lugar muitas vezes, impedindo-me de fazer coisas que eu gostaria de fazer.


Porém, desenvolvi uma maneira de lidar com isso e seguir adiante. Mas por que menciono essa experiência?


Menciono porque a grande questão, hoje em dia, é a inclusão. Inclusão aqui, inclusão ali, inclusão acolá... Mas será que estamos, de fato, erguendo essa bandeira da maneira correta?


De forma alguma sou contra a bandeira, até porque faço parte dela. O que quero é refletir sobre as formas de agir, de se colocar diante de uma sociedade em transformação. Uma sociedade que, muitas vezes, não introjeta, mas apenas absorve como uma esponja. E nós sabemos bem o que acontece quando se espreme a esponja.


Há pelo menos uns 40 anos, desde o momento em que me envolvi com movimentos sociais como o Sólazer e a APCB, ouço falar sobre a necessidade de integrar e incluir a pessoa com deficiência. Os anos passam, e o discurso continua o mesmo. Pode variar aqui ou ali, mas o mote é sempre a inclusão.


Dizer que nada melhorou seria faltar com a verdade, mas os avanços ainda são lentos e cansativos. É certo que, historicamente, o tempo é curto, mas já se passaram cinco gerações desde a minha, e isso, muitas vezes, desanima.

O que faremos daqui por diante?



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