
INCLUSÃO:
CAMINHO PARA A CIDADANIA
Marcos Mendes Pinheiro
Ser uma pessoa com deficiência, como eu sou, não é um problema. Nasci com uma deficiência e aprendi a viver assim, com minhas dificuldades, possibilidades e com as formas que encontrei de vencer as barreiras que a vida me apresentou. Minhas limitações nunca foram um obstáculo para mim.
Tive o atendimento correto, na hora certa e da maneira adequada. Meus pais também buscaram o diagnóstico para compreender quais eram as minhas possibilidades e como poderiam me ajudar a me desenvolver da melhor forma possível.
Entendo que, antes dessa decisão, houve um momento de compreensão e aceitação do que havia acontecido comigo. Receber um filho tão esperado e descobrir que ele tem uma deficiência não é fácil. É um processo delicado, que exige tempo para entender e absorver toda a complexidade que um ser tão pequeno apresenta e apresentará ao longo da vida.
O que fez a diferença na minha trajetória foi que, apesar do susto inicial, meus pais decidiram transformar o problema em solução. Recebi todo o atendimento necessário para meu desenvolvimento físico, já que minha parte psíquica foi preservada por completo. Durante cerca de oito anos, frequentei as principais clínicas do Rio de Janeiro, com acompanhamento psicológico e fisioterápico, o que me proporcionou um grande avanço, tornando-me uma criança independente muito antes do que se imaginava.
Mas, na verdade, disse tudo isso para chegar a um ponto: nada adiantaria todo esse tratamento se não fosse o tipo de relação que meus pais me proporcionaram. Eles jamais me esconderam, jamais permitiram que eu fosse discriminado pela sociedade. Nunca me deixaram sentir menor que os outros. Eu sabia das minhas dificuldades, mas aprendi a encontrar maneiras diferentes de fazer as mesmas coisas que as outras crianças faziam.
A negação de um filho com deficiência é algo compreensível e até natural. Como disse antes, não é fácil receber um filho com deficiência. No entanto, a forma como os pais decidem criá-lo determinará toda a sua trajetória de vida. Negar a deficiência não torna o filho menos ou mais deficiente, apenas o impede de viver plenamente.
A inclusão deve ser o principal referencial para toda família que recebe um filho com deficiência. Por mais difícil que pareça, esse é o caminho necessário para torná-lo independente. Eu sou prova viva disso. Minha família me incluiu em tudo, sempre respeitando meus limites. É claro que cada caso é único, mas, independentemente das limitações, todos os indivíduos devem ser incluídos no convívio familiar e social.
A inclusão é um fator essencial para a cidadania e não deve ser negada a ninguém.
Dedico este texto também a Tereza, minha babá, que me ensinou a dar os primeiros passos!





